Publicado por: esporos em: fevereiro 1, 2010
No mercado editorial de revistas especializadas, a Revista Beta é uma publicação relativamente recente, está no seu sexto número – a edição verão de 2010.
Na verdade ela mudou de identidade – foi Plano B até o inverno de 2000, no.4 e renasceu maior, mudada, reflorescida na primavera do mesmo ano, em seu número 05. Nesta mesma primavera tive o prazer de ser convidada pelo Thiago Iacocca, diretor de redação, e pela Tayla Tzirunik, publisher para assinar uma coluna. Adorei o convite! E estreei no verão.
A coluna deste mês chama-se “Pré-estreia”.
A revista está nas bancas com ótimas entrevistas com os cineastas Karim Ainoüz e Esmir Filho, uma reportagem com os criadores de Klovn, uma comédia da Zentropa, produtora de Lars von Trier; entre muitos outros textos interessantes sobre o mundo do cinema.
Veja aqui um aperitivo:
Publicado por: esporos em: janeiro 6, 2010
LUIZ FELIPE PONDÉ
O romantismo idiota de “Avatar”
|
No filme de James Cameron, a relação com a Natureza é de vida ou morte, ou ela ou nós |
Em 28/12/2009
O FILME “Avatar”, de James Cameron, é melhor do que “2012″. “Avatar” também tem um ar apocalíptico, mas reúne elementos estéticos e de conteúdo mais elaborados do que “2012″ e seu besteirol maia.
Mesmo assim, “Avatar” acaba sufocado por outro tipo de besteirol que é seu romantismo para idiotas: a fé no povo da floresta que vive em harmonia com a natureza. Nenhum povo vive em harmonia com a natureza. A diferença na relação com a natureza sempre se definiu pela maior ou menor capacidade técnica de cada cultura em controlá-la.
Os índios brasileiros que cá estavam quando chegaram os portugueses (“nossos libertadores”) só viviam “em harmonia com a natureza” porque eram tão atrasados que nem conheciam a roda. Preste atenção: a relação com a natureza é de vida ou morte, ou ela ou nós. A expressão “lei da selva” não foi inventada pela avenida Paulista e seus bancos, mas sim como descrição da natureza e seu horror.
Isso não significa que não existam limites para a exploração da natureza, mas isso tampouco significa que exista uma coisa que seja “a doce Natureza”. Serpentes e barbeiros (os besouros da doença de Chagas, não seu cabeleireiro unissex) e câncer são tão naturais quanto os passarinhos.
O romantismo é uma escola literária de peso. Último grande grito contra a vida brutalizada pela fúria mercantil, ele reúne uma crítica contundente ao capitalismo tecnicista e sua crença brega na ciência – “a ciência é o grande fetiche da burguesia”, dizia o filósofo Adorno. Em “Avatar”, o romantismo degenera em conversa de retardado.
Revolucionários românticos sonhavam com uma vida que recuperasse “valores pré-modernos” identificados com uma vida em comunidade onde as pessoas não seriam monstros interesseiros. O problema desses revolucionários é que “comunidade pré-moderna” não é uma comunidade de hippies legais, mas um tipo de sociabilidade onde o padeiro da esquina sabe que sua mãe é amante do padre, que seu pai é brocha, e que nem você nem ninguém têm pra onde ir. A idealização do que seria uma comunidade é uma das marcas dos idiotas utópicos.
Ninguém está disposto a abrir mão da liberdade individual moderna em nome de qualquer comunidade, por isso toda tentativa de “re-fundar” comunidades fracassa, apesar da admiração de muito pós-moderno bobo por culturas que não conheciam a roda. Não basta ter um filtro de barro em sua casa na Vila Madalena pra você conseguir viver em paz na comunidade da deusa natureza.
O filme se passa num planeta (Pandora) tipo Amazônia, onde existe uma enorme riqueza mineral escondida sob o solo coberto por uma floresta tropical cheia de “monstrinhos e plantas que ascendem ao toque das mãos”, habitada por uma população linda de seres que muito se parecem com índios americanos. Pandora já remete à narrativa da “caixa de Pandora” e suas maldições.
O nome da raça que habita Pandora, os Na’vi, soa muito próximo da palavra hebraica para “profeta”, “navi” ou “nabi”. Os humanos gananciosos não são capazes de perceber como os Na’vi são seres em contato com a deusa cósmica. Os índios de Pandora são profetas da deusa.
O personagem humano principal é paraplégico, mas ao se tornar um Na’vi recupera as pernas: eis a metáfora da condição humana vista pelas lentes do romantismo degenerado.
Somos uns aleijados em comparação aos belos índios místicos donos da verdade cósmica. E qual é essa verdade? Que a natureza é um grande cérebro pensante e que devemos nos dobrar a ela porque assim a vida será bela.
Meu Deus, como ter paciência com esses aleijados mentais? Ninguém leu Darwin? Ninguém nunca observou a natureza de perto? Nunca sentiu o odor de sua violência? Numa cena, nosso herói escapa de uma fera. Esta mesma fera se oferecerá em seguida como montaria dócil para a heroína Na’vi a fim de combater os humanos gananciosos. Hipótese do filme: se um leão come a cabeça de uma mulher, isso é “bem cósmico”, mas diante da ganância humana, ele se oferecerá como montaria dócil e fará discernimento entre sua crueldade “do bem” e a “maldade humana”.
Noutra cena, na qual a heroína Na’vi salva o mocinho, ela dirá: “Eu tive que matar essas belas criaturas porque você fez barulho”.
Moral da história: se você não respirar e não andar, a natureza o amará pra sempre. Caso apareça um porco capitalista, os leões virarão gatinhos. Só um idiota pensaria isso.
Publicado por: esporos em: dezembro 23, 2009
Se você deseja comprar o livro:
Faça um depósito ou transferência bancária no valor de 30,00 para:
Edilamar Galvão da Silva (CPF.: 315049812-00)
Banco Bradesco (no. 237) ag.: 1090 c/c: 79-5
Envie o comprovante para o e-mail dilagalvao@gmail.com, informe o endereço para onde o livro deverá ser enviado e se você deseja que o livro siga autografado.
Obrigada!
Publicado por: esporos em: novembro 30, 2009
Ouça os poemas de Dúvida Dívida Dádiva:
Eurídice
Jaz
Eurídice 1
Eurídice 2
Eurídice 3
Eurídice 4
Mudez
Lápide
Meretriz
Morrimento
My fair lady
Confissões I
Confissões II
Desaparição
Esquivança
A angústia ronda os arredores
Eu olho pra você
Não há onde se esconder
Nudez
Desejo
Hábito
Provocação
Amar amor te amar
Dúvida Dívida Dádiva
Dúvida
Dívida
Dádiva
Fim
Tudo nada
Créditos
Publicado por: esporos em: outubro 22, 2009
Sob – e sobre – a angústia do tempo, tenho vivido muitas experiências estéticas e intelectuais na arte, na poesia e na sala de aula. Acumulam-se idéias que gostaria de desenvolver e escrever enquanto tento não deixar que a velocidade do mundo rapte a intensidade e a presença “verdadeira” em tão múltiplas relações.
Para viver é preciso prestar atenção. Vou anotando em caderninhos e nas bordas dos livros as epifanias num desejo – insano – de reter a totalidade da experiência vivida.
Escrevo fragmentos de poemas. Aos poucos um livro nasce na sua forma corpórea. Outras idéias atropelam-se angustiadas e ansiosas à espera de sua realização. Peço calma. Eu não sou infinito. Mas o tempo é. E as idéias todas não pertencem a ninguém. Pertencem ao mundo todo.
******
Saturno é, poeticamente, o planeta da melancolia.
Mas o meu amigo Marcos Cuzziol me propiciou uma nova visão deste “signo” que me remete à história de um pensamento, de um temperamento e da angústia do tempo que passa.
Imaginem ver uma primavera em Saturno:

From 20 degrees above the ring plane, Cassini's wide angle camera shot 75 exposures in succession for this mosaic showing Saturn, its rings, and a few of its moons a day and a half after exact Saturn equinox, when the sun's disk was exactly overhead at the planet's equator. The images were taken on Aug. 12, 2009, at a distance of approximately 847,000 km (526,000 mi) from Saturn. (NASA/JPL/Space Science Institute)
Clique na imagem e veja outras imagens impressionantes do Céu, das luas e dos anéis de Saturno.
Publicado por: esporos em: agosto 24, 2009
“Foi em 1889 que Gauguin se afastou do impressionismo para criar algo menos naturalista, que chamou de sintetismo; e que Georges Seurat fez seu esboço pontilhista da Torre de Gustave Eiffel, enquanto os operários se esfalfavam para concluir esta estravagância de ferro para a Exposition Universelle. Esse foi o ano em que um desconhecido pintor holandês se internou voluntariamente no asilo de St. Paul, em Arles, onde retratou o banco de pedra e os cipestres dos jardins; o ano em que o jovem Henri Matisse, escrivão que nunca tinho posto o pé numa galeria de arte, matriculou-se num cruso de pintura em Saint Quentin natal. E foi em 1889 que Picasso, aos oito anos de idade, pintou o que se considera sua primeira obra: Le Picador. Algo quase mágico estava acontecendo na arte ocidental. Uma centelha de loucura, uma faísca de gênio estava no ar, alimentando discussões e controvérsias em Paris e Londres.”
Trecho de Eu fui Vermeer, de Frank Wynne (Cia. Das Letras, 2008). O livro conta a história de Han van Meegeren, nascido no referido ano de 1889 em Deventer, Holanda. O artista se notabilizou por suas falsificações de Vermeer, descobertas apenas quando precisou se defender de ter vendido um patrimônio holandês aos nazistas na 2a. Guerra Mundial.
Publicado por: esporos em: agosto 11, 2009
“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.
João Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas. APUD Márcio Suzuki, O gênio romântico (epígrafe).
Então pessoal: Tudo certo. Vamos assistir a esse filme amanhã, às 14 h, no Auditório 2. Depois um bate-papo para quem quiser comentar o filme.
Publicado por: esporos em: junho 3, 2009
porco empalhado em engradado de madeira
83 x 159 x 62 cm
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo/Brasil
Registro fotográfico Romulo Fialdini
Fonte: Enciclopédia das Artes
********
O Instituto Itaú Cultural inaugurou no último dia 28 de maio a exposição “Ocupação“, com obras inéditas e quatro consideradas fundamentais na trajetória de Nelson Leirner, como “O Porco”, de 1966.
É uma oportunidade ótima para se confrontar com a experiência contemporânea da Arte desde seus gestos mais “pioneiros”. Particularmente, as obras de Leirner me fazem ter diante do badalado Damien Hirst a sensação de dejá-vù.
Há ainda muitas outras coisas que essas obras me fazem pensar. Quem sabe eu comento em outra hora…
Além da exposição, o Instituto fez um interessantíssimo hot-site com imagens da montagem de Ocupação, obras e entrevistas com artistas que foram seus ex-alunos na FAAP, onde Leirner lecionou por 20 anos.
**********
Exposição Ocupação Nelson Leirner
Itaú Cultural | Avenida Paulista 149 – Paraíso – São Paulo SP [próximo à estação Brigadeiro do metrô]
quinta 28 de maio a domingo 28 de junho 2009
terça a sexta 10h às 21h
sábado domingo feriado 10h às 19h
entrada franca
informações 11 2168 1777
atendimento educativo
visitas espontâneas
grupos até 22 pessoas
duração aproximada 60 minutos
terça a domingo e feriado [diversos horários]
Publicado por: esporos em: maio 25, 2009
Por:
Ao entrar na sala principal do MASP que, desde o dia 24 de Abril, cede espaço à retrospectiva da obra do artista plástico brasileiro Vik Muniz, o visitante vê-se induzido a sintonizar com o projeto estético-estilístico de caráter virtuoso e megalomaníaco de Vik – com as desculpas pelo uso desse adjetivo menor, a megalomania, retirado de um repertório concernente ao senso comum barato, mesmo que, por meio de um olhar mais apurado, seu uso justifique-se visto que quando se apela ao deslumbramento técnico a resposta imediata vem mais do arregalar dos olhos das massas e menos da leitura de um possível discurso poético-semântico, ou, poético-sintático.
Vik, ao longo de sua carreira cria uma extensa produção cujo princípio compositivo consiste em séries fotográficas de diversas assemblages (colagens e reunião de matérias primas diversas) feitas através de materiais que trazem, por sua vez, um segundo discurso quando contrastados ou aproximados ao conteúdo que exprimem ao serem fotografados, bidimencionalizados em sua nova forma.
“Quis criar imagens que permitissem ao observador leituras múltiplas e que ele se tornasse consciente de sua participação”. (Vik Muniz)
Tomemos como exemplo a série de retratos de pessoas negras que Vik confecciona utilizando-se do açúcar como matéria prima, discursando, assim, sobre a composição de nossa imagem, de nosso retrato, a partir daquilo que nós mesmos engendramos, visto que a produção dos descendentes das pessoas retratadas, período da escravidão, era majoritariamente o açúcar. Assim, Vik parece dizer que nossa imagem vem sendo mediada pelos produtos, ou pelas idéias, por nós, ou por nossos pares, concebidos com os olhos do mundo.
O discurso entre a matéria que constitui a figura e a figura por ela desenhada é retomada em diversas outras séries como quando Vik reproduz imagens bélicas à partir de soldadinhos de plástico, ou quando retrata personalidades predominantes na mídia e da elite social utilizando-se de diamantes e caviar. Outro exemplo, um dos mais impressionantes no quesito da virtuosidade, é a confecção de imagens de trabalhadores no lixão através dos objetos por eles mesmos recolhidos.
Utilizando-se destes objetos do universo de consumo para constituir suas montagens, em planos plongées absolutos, Vik incorpora o universo do Kitsch, tangenciando assim pontos análogos à proposta estético-estilística do tropicalismo, principalmente no que diz respeito às manifestações no campo do cinema e da música – afinal, tanto o disco “Tropicália ou Panis et Circencis”, quanto o filme “O Bandido da Luz Vermelha”, trazem essa mesma incorporação. Assim, em primeira análise, o discurso por sobre o material e a imagem por ele formada é interessante, porém, este perde sua complexidade quando comparado com dois dos movimentos mais revolucionários do âmbito artístico: o Dadaísmo e a Pop Art. Em uma brevíssima consideração podemos postar que o primeiro trouxe ao cenário artístico do início do século XX o choq, a quebra no olhar, na percepção e na própria idéia consagrada de objeto arte. Posteriormente, o Pop vem como que para institucionalizar o choq Dadá, educando o olhar popular para compreender suas colagens, seus objects trouvés e seus ready-mades como objeto arte e mais, utilizá-los como instrumento de celebração da cultura americana. Na sombra de tudo isso, Vik parece colocar-se como um artista anacrônico, cuja proposta dificilmente transcende uma interessante experiência estética, logo, alcunhado por alguns críticos contemporâneos como dentro do subgênero artístico denominado “Fun”.
Tomemos como exemplo sua série “Montinhos” na qual ele reúne diversos objetos de pequena dimensão que não possuem nenhum ponto de intersecção tanto na forma quanto na função. A obra parece, pois, ser uma releitura rasa, ao menos competentemente estetizada em belas reproduções a partir de fotografias em grande formato, das assemblages de Kurt Schwitters, no movimento dadaísta, e mesmo das de Richard Hamilton e Rauschemberg, no movimento Pop, nas quais a aproximação de objetos díspares parecia apresentar a idéia de que todos eles reunidos, colados antes nas assemblages, agora nos montinhos, tornam-se análogos devido a reificação no mundo da práxis mercantil. Mundo no qual o universal concreto, ou seja, em linhas gerais, tudo, é mercadoria.
*******
Um dos trabalhos apresentados na retrospectiva, porém, destaca-se profundamente ao apresentar uma reflexão semiótica não somente notável, mas também, demasiado poética. Em “Nuvens”, Vik Muniz, tirou uma série de fotografias em formato skyline da cidade de Nova York, onde mora desde 1983, nas quais o céu limpo apresentava apenas uma única nuvem, esta, porém, produzida pela fumaça de uma pequena aeronave. As nuvens representadas pelos rastros do piloto remetiam não às nuvens realistas, naturalmente amorfas, mas ao signo visual, convencionalmente institucionalizado no mundo da comunicação, da nuvem. Assim, o signo parece vir para substituir o próprio objeto que o criou. Vik recria, pois, um movimento muito típico da chamada Pós Modernidade caracterizada, dentre outros aspectos, pelo gradual caráter virtual do mundo sensível.
(nota: Vale postar que a constituição de imagens bidimensionais por meio da reunião de objetos tridimensionais confere à obra de Vik um caráter cinematográfico, tendo em vista que o procedimento de bidimencionalização do mundo em três dimensões configura-se presente em ambas. Isso é reforçado com as constantes referencias que o artista trás do principio compositivo cinematográfico, da matéria prima da imagem, tanto o grão do nitrato de prata da película, quanto os pixels do cinema digital).
Nota do blog: O site de Vik Muniz traz farto material sobre o artista, incluindo vídeos sobre o processo criativo de várias obras.
Confira especialmente no link Gallery, ano de 1996, o “documentário”
Worst Possible Illusion: The Curiosity Cabinet of Vik Muniz
Mixed Green Production (54 min.)
Director and Producer: Anne-Marie Russel
Publicado por: esporos em: maio 20, 2009
Para ampliar o paradoxo do tempo:
Não é o tempo que me falta
Sou eu o tempo todo
tentando acomodar todas as minhas vontades:
Que não cabem, não sei, se dentro de mim
se dentro do tempo.
Há vontades que surgem como relâmpago,
Umas que passam e outras que passeiam,
As que dançam,
As que só se apresentam e vão embora.
Aquelas que voltam.
Um tanto que brigam.
Outro tanto que brincam.
Umas conversadeiras. Um tantinho bem acomodadas.
Um monte me pedindo atenção.
No meio dessa confusão
acaba de nascer mais uma:
Sigam
à vontade.
Atualização em 23/12/2009
Penso em cada tweet-poema como um fragmento independente de todos os outros. Invejando os fragmentos de Novalis (essa confissão ficaria mais bonita e ambígua em francês…).
Mas os penso também num caudaloso fluxo de palavras que se continuam para sempre. Como penso que pensaria Haroldo de Campos. Mesmo sabendo que sempre ou nunca é sempre muito tempo.
De qualquer modo, se você acessar o “primeiro” tweet-poema, uma tentativa de começar o infinito, poderá perceber os fluxos dessa continuidade.
Como na vida, o que aparece primeiro é o momento último. O passado, neste caso, pode ser recuperado apenas rolando a barra.