Sugestões de Exposições de Artes Visuais

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exposição / vídeo

JORGE MACCHI

JORGE MACCHI
10 AGOSTO – 8 SETEMBRO

Jorge Macchi

30.08.2011 | 01.10.2011
Iran do Espírito Santo
Galeria

Globe 6, 2011
Mármore
25,50 x 25,50 x 25,50 cm
Edição de 5 + 2 AP

SAUL STEINBERG – AS AVENTURAS DA LINHA – PINACOTECA 03.OUT – 06.NOV

Untitled. 1948

São Paulo nos pés

Por Cassia Conti – RTV matutino*

Nova na terra da garoa, mas antiga nas minhas manias. Conhecendo um tanto mais de São Paulo me peguei muitas e muitas vezes tentando rearranjar as calçadas, como se com os pés conseguiria hora separar as peças em dois montes por cores ou até fazer um desenho que fosse meu e a partir de então ficaria lá pra fazer parte do cotidiano de novas pessoas.

Essa mania insistente me fez perceber como aquelas formas foram incorporadas ao dia-a-dia de tanta gente que pisa, senta e até dorme sobre elas.

Praça Vilaboim, Higienópolis

O desenho que ilustra muitas calçadas da cidade de São Paulo foi aplicado no final da década de 60. Escolhido em um concurso promovido pela prefeitura, o esquema do estado de São Paulo é da artista plástica, Mirthes Bernardes. O trabalho vai além de uma mera simplificação do traçado do estado, mas a construção engenhosa feita com apenas três peças, criando um padrão de repetição infinito.

Vilaboim, Higienópolis

Até 2004, a autoria desse projeto ainda era pouco conhecida, mesmo considerando que a artista já havia exposto no exterior.

Infelizmente o reconhecimento foi somente autoral. Não que isso seja insignificante, mas o projeto que ocupa muitas calçadas da “Paulicéia desvairada” poderia também render financeiramente a artista.

Praça Vilaboim, Higienópolis

É interessante ver como rabiscos, formas e desenhos invadem nosso espaço sem que nos demos conta. A calçada com certeza não é tão elaborada quanto uma tela, nem tão imponente quanto uma estátua, sequer tão agressiva quanto um graffiti, mas fica então a ressalva de que vale a pena olhar por onde se pisa.

  • Quando: a qualquer momento
  • Onde: em vários lugares (no caso Praça Vilaboim)
  • Até que a prefeitura resolva tirar
  • links relacionados:

http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0„EMI86830-16296,00-A+ARTISTA+DAS+CALCADAS.html

*Nota do Blog: esse texto foi originalmente publicado no Blog  “Hucha Mama!” (http://huchamama.tumblr.com/search/cal%C3%A7ada) realizado pelos alunos do 3o. semestre de Cinema e Rádio e TV para a disciplina Estética no primeiro semestre de 2011.

Exposições de Arte: Alunos de Estética da FACOM-FAAP visitam, comentam e criticam!

Há duas “avaliações” que gosto especialmente na disciplina Estética, ministrada por mim às turmas do curso de Comunicação da FAAP:

1 – O relato da experiência estética mais significativa que eles vivenciaram e,

2 – As visitas às exposições de Arte – agora também admitindo Arte de e na Rua – publicadas em um blog da sala produzido pelos próprios alunos.

É esse último item que irei comentar. Com atraso. Pois, a cada mês, a cada semestre aparecem novos desafios. O tempo, por seu turno, permanece o mesmo…

Confira neste post os links que, de qualquer maneira, sempre estão disponíveis na barra à direita:

Turma A

Destaque para o post de Maria Fernanda sobre a Bienal. Olha ela aí:

Turma B

Destaco as visitas feitas por Mariana à Exposição da Coleção Pirelli de Fotografia, no MASP, mas que infelizmente já acabou.

Gostei também do post de Paula sobre a Exposição “O Espaço nas Entrelinhas”, de Fred Sandback, no Instituto Moreira Salles. Outros alunos também comentaram essa exposição que ainda dá tempo de ver. Vai até 24 de outubro. Sofia Derani comenta a exposição “Dream Machine”, no atelier de Regina Johas.

Aqui, Fred Sandback:

Fred Sandback

Turma C

Muito rico o blog “Quarto 213”, da turma C. O relato de Caio sobre sua visita ao “Umbraculum – Jan Fabre no Tomie Ohtake” nos faz acompanhá-lo em sua experiência. A visão do fotógrafo Miguel Rio Branco está na impactante “Maldicidade – Marco Zero”, no MuBE, por Gabriela Cruz. Cíntia Esteves traz informações sobre a escultura LOVE, de Robert Indiana. Ótimo também o comentário de Beatriz Gallo para “sobreViver”, exposição de pinturas de José de Quadros no SESC-Pompéia.

Cíntia Esteves em “Love”:

Turma G

É uma coisa um pouco incrível, mas qualquer grupo que convive junto um tempo acaba adquirindo uma espécie de “personalidade em grupo”. Noto bastante essa idiossincrasia em cada sala de aula. E a personalidade da turma G deste semestre é das mais “irônicas” – quando essa palavra indica uma coisa boa. Visite o site. Aqui um post não crítico e não sincero é exceção à regra.

Artur Renzo, na exposição “Vik Muniz – Verso”

Amina vai a Inhotim, mas não deixa barato!

Mayra no Beco do Grafite:

Turma H

Nesta turma, por exemplo, alguns alunos decidiram explorar mais uma possibilidade dada pelo trabalho. Falar sobre arte de rua. E não é que a Rafaela Pastore até entrevistou o grafiteiro Igor Kenzo? Marcela Auder também produziu um post muito bonito com as obras de Zeila e Tikka. E Tayla foi buscar o grafite dentro da Igreja Bola de Neve!

Rafaela diante de Koi-Fish num muro na av. Dr. Arnaldo:

A Marcela Auder em uma travessa da Cerro Corá!

Parabéns aos meus alunos!

ULTRA NATURE EM NÓS – por Alba Brito; Reflexões de uma artista-educadora

Nota do blog: É com muito atraso que publico este texto de Alba Brito que me foi enviado por Marcos Cuzziol. A exposição Arte Cibernética – Acervo Itaú Cultural ocorreu em seis estações do metrô de São Paulo nos meses de abril e maio colocando essas obras de arte em contato com um público amplo e, acredito, na maioria das vezes inédito.

Pergunta-se muito o que “significa” esta nova arte. Coloca-se muita ênfase em seus aspectos técnico-tecnológicos (o que é sem dúvida importante), mas a mesma ênfase precisa ser colocada no convite à experimentação e autonomia, no seu modo próprio de fazê-lo – isso que, talvez, seja desde sempre a essência mesma da arte ou um dos modos de defini-la.

O texto de Alba relata de modo sensível e poético esse dado da experimentação, o “rasgo no cotidiano” que “significa” sair da ordem do dia para a “ordem” do prazer estético.

A publicação dele vem com atraso, porém o motivo para fazê-lo foi atualizado em uma discussão neste último sábado na minha também última aula para os alunos de pós-graduação em História da Arte de Ribeirão Preto, turma 2. Comentei este relato e prometi publicá-lo. Obrigada à Alba por tê-lo escrito e ao Marcos por tê-lo enviado.

 
“É como se abrisse um rasgo no cotidiano das pessoas e de lá saísse um sorriso”
 
Este quase um mês e meio de trabalho na Estação Sé, orientando o público na obra Ultra Nature do artista plástico mexicano Miguel Chevalier, pertencente a exposição Arte Cibernética – Acervo Itaú Cultural, me fez refletir bastante sobre qual o papel da arte nos dias de hoje, ainda mais num lugar como aquele: correria, empurra-empurra, suicídios cometidos toda semana, a luta diária contra o tempo segundo a segundo, a rigidez do olhar, a cegueira, a falta de sol.

Rompendo o concreto do metrô, abrindo fendas, surgiam imponentes as plantas vivas, porém virtuais, de um artista de um outro país e esta luta da obra de arte versus o embrutecimento humano reverberava mais que a trepidação natural do metrô nas pessoas que se permitiram, por alguns segundos ou longos minutos, brincar!

Este é o verbo que ficou em mim neste período de trocas verdadeiras: Brincar!
Senhoras acanhadas, recolhidas, quase escondidas atrás das pilastras da estação, que observavam com olhos grandes de curiosidade e medo, olhos de crianças em longa idade, foram convidadas para dançar em frente a obra e felizes foram aquelas que dançaram, permitiram-se brincar! Provocando em mim uma alegria tremenda e a cada passo e riso fazendo do jardim virtual um jardim cada vez mais cheio de vida.

Senhores sisudos, que não queriam papo, ficavam por longos minutos olhando, sem mover nenhum outro músculo do seu corpo exceto os necessários para piscarem de vez em quando, e as vezes quando a sisudez era deixada de lado, um muito obrigado aflorava seguido por passos rápidos e meio atrapalhados em direção as escadas rolantes do metrô ou então seguido pelas perguntas: aonde eu faço pra ir pro Tucuruvi? Barra funda? Ô menina como é que eu faço pra ir pro Jabaquara? Itaquera?

As flores virtuais não necessitam de sol, mas necessitam de pessoas e neste jogo de necessidades só conseguiu jogar quem se permitiu ser um pouco Sol e foram mais de 2 mil pessoas por dia, em média, mais de 2 mil pessoas por dia que se esqueceram da pressa, afrouxaram o nó da gravata, liberaram os nós da garganta compartilhando histórias tão pessoais comigo, colocaram suas bolsas no chão para brincarem com o jardim, pessoas que me perguntavam “cadê as nossas plantinha” quando por algum problema técnico a obra teve de ser desligada, pessoas com deficiências físicas que rodopiam as cadeiras de rodas no meio da estação de metrô em frente a “tela”, estudantes com seus cadernos de anotações e olhos atentos “que louco meu!”, famílias inteiras, estrangeiros (bolivianos, americanos, iraquianos, argentinos, chineses…) e surdos e mudos que travaram uma comunicação comigo através da mímica, pessoas cegas que acompanhadas por amigos que iam lhe dizendo o que estavam vendo mexiam seus corpos para que a obra tivesse movimento, quantas muletas e bengalas serviram de pés de valsa nessa brincadeira…

No meio de tanta gente, algumas pessoas me marcaram:
O engraxate da Sé que jogava seu guarda chuva no chão e recitava suas poesias que geralmente continham a frase: Se você acredita em Deus, nada lhe faltará, apresentava-se tendo a obra de arte como pano de fundo; o senhor Luís, homem negro com seus longos cabelos brancos encaracolados sob um chapéu e um longa barba branca que me recitou um poema enorme, aprendido apenas pela tradição oral, já que não sabia nem ler e nem escrever; o Edmilson da Silva pessoa boníssima freqüentador e trabalhador da APAE que comemorou seu aniversário junto a obra de arte (ele não sabia que aquela quinta-feira era o dia do seu aniversário, ele me disse que o seu aniversário estava próximo e me mostrou seu R.G e para a nossa surpresa o aniversário dele era naquele dia, 24/05, completava 38 anos de idade); a senhora do bombom sonho de valsa, mulher apaixonada por seu falecido marido que foi, segundo ela mesma me disse, um dos engenheiros das obras do metrô, mas que não pôde assinar os projetos pois era estrangeiro; o senhor Carlos, artista plástico dos vegetais, quase sempre ele ia visitar as plantas virtuais e dizia “vou fazer um jardim desse lá no restaurante Cachoeira com nabo, berinjelas….”; a senhora que me alertou da flor misteriosa existente no mar da China: “uma flor grande, que vive lá nos fundo do mar, passou num filme, ela seduz as pessoas e aí já era, é igualzinho essas planta daqui, é filme isso?”; o menino da rua Miguel que ficou lá na exposição uma tarde quase inteira brincando com as plantas, com as sombras provocadas pelos projetores da obra, foi bonito revê-lo junto ao seu irmão, o vendo ensinar todos os bichos de sombra que eu o havia ensinado; o senhor que somente olhou a obra e disse “eu queria mostrar pro meu neto” e se pôs a chorar “desculpa, eu sou sensível”


Ufa! Há sensibilidade nos paulistanos.

As pessoas simples que me perguntaram : tá vendendo? Imagina isso na sala da gente, hein? É uma terapia, a gente chega tudo estressado, aí fica assim brincando, fazendo uns movimentos! É bom, relaxa.

Teve também aquelas que detestaram, questionaram o por quê das plantas não serem somente verdes : Isso que ta aí não é verdade, não existe plantas dessas cores, vocês tão ensinando errado as crianças, elas vão ver isso e vão achar que as plantas são assim, mas as plantas são verde; houveram outras que  acharam absurdo as pessoas “baterem” nas plantas: Isso, ao meu ver, você me desculpe, mas é muito errado, as pessoas vem, ficam batendo nas plantas, eu acho, me desculpa a minha ignorância, se as plantas tão quietas na delas ninguém tem que ir lá perturbar, eu não entendi isso aí não.

E não adiantava eu falar coisa alguma, muitas vezes o diálogo entre eu e o usuário de metrô não pôde existir, mas com toda certeza o diálogo entre essas pessoas e a obra de arte aconteceu e de forma muito potente, pois elas saíram cheias de questões e diferentes do momento em que antecedeu o olhar à obra.

Muitas pessoas me perguntavam “qual o objetivo” dessa obra estar ali, eu sempre rebatia a pergunta: qual o objetivo, pra você, dessa obra estar aqui? E aí o diálogo ia sendo tecido…

Nesse quase um mês e meio de exposição senti, de maneira muito objetiva e rápida, a ação da arte na vida dessas pessoas, ação que muitas vezes a gente não vê com essa intensidade e rapidez quando estamos fazendo teatro, por exemplo, e foi muito bonito ver, inclusive os momentos em que o jogo não se estabelecia, quando o embrutecimento “ganhava”, que de alguma forma a criança de cada um aparecia em frente aquela imagem que se mexia, crianças ora risonhas e entregues, crianças ora fechadas e tristes, crianças carentes de atenção, crianças escondidas sob camadas profundas de um amadurecimento “concretado” que saiam, com dificuldade, rompendo camadas e camadas de sentimentos, histórias, carne humana, igualmente como faziam as flores do jardim virtual ao romperem o cinza do metrô, igualmente como fez a Arte, neste quase um mês e meio, ao romper o cotidiano dessas pessoas e, ao final de tanta luta, o que aflorou em todos os casos foi o riso ou o risco de se perceber perceptível e humano.

Agradecida ao Miguel Chevalier, aos funcionários da Sé, aos funcionários do Itaú Cultural, a Estação História, as pessoas que compartilharam comigo esta experiência no metrô e a mim, que me permiti vivenciar isto com esta intensidade.

Santo André/SP, 02 de junho de 2010.

Sobre a obra e o autor: [do site do Emoção Art.Ficial]

Um jardim virtual cuja flora é composta de seis variedades de plantas digitais coloridas. Cada uma delas evolui de acordo com suas características “genéticas” e pela interação com o público que, por meio de sensores, provoca a polinização entre elas, influenciando o crescimento de novas e inesperadas florações.

 

Miguel Chevalier é conhecido como um dos pioneiros da arte digital. Nascido no México e radicado na França, graduou-se na Escola Nacional Superior de Belas Artes , em Paris, no início da década de 1980. Em 1994, ingressou como artista residente na Villa Kujoyama, em Kyoto, Japão.

Comentários sobre os textos das exposições

Por Guilherme Gil de Oliveira Melo – Monitor da disciplina Estética da FACOM     

 Dissertando acerca da exposição do artista multimídia Gordon Matta-Clark, que ficou em cartaz no MAM-SP até o mês de abril, a aluna Carolina Althaller (da turma H) consegue promover uma reflexão mais profunda a respeito de sua obra e da problemática social na qual está inserido, tudo dentro de uma linguagem breve, concisa e esclarecedora.

Uma das obras presentes na exposição

      A partir de sua análise, temos noção do cerne das questões envolventes do trabalho de Matta-Clark, um dos nomes de proa da arte contemporânea, que giram em torno da discussão sobre o espaço e o próprio processo construtor do trabalho artístico, em um procedimento convidativo da participação/intervenção por parte do público, o agente receptor. 

O link para o texto pode ser encontrado aqui.

Comentários sobre os textos das exposições

         Por Guilherme Gil de Oliveira Melo – Monitor da disciplina Estética da FACOM 

 Dentro da atividade de relatos a visitações artísticas proposta pela disciplina de Estética, trabalhos que fogem a um padrão mais convencional e conseguem, com efeito, um aprofundamento diferenciado que decorre, justamente, dessa busca por outros registros merecem uma menção especial. 

          Isso ocorre no caso da aluna Gisela Barreira Marcondes, da turma B, que, no relato a respeito da exposição Romantismo: A Arte do Entusiasmo, no MASP (que ficou em cartaz até 8 de maio), sai-se muito bem ao usar de maneira adequada o procedimento de enumeração exemplificativa das obras vistas, o que demarca uma espécie de evolução cronológica da Escola Romântica. Ela consegue transmitir com sutileza as impressões e os efeitos propiciados pelos quadro. Além disso, notam-se, em seu processo elaborativo, concisão e poder de síntese. 

Quadro de Degas, Quatro Bailarinas em Cena, presente na exposição visitada

 


 

           O texto completo pode ser encontrado aqui.