“Cosmos”: A beleza da Ciência

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Sob o signo de Saturno

Sob – e sobre – a angústia do tempo, tenho vivido muitas experiências estéticas e intelectuais na arte, na poesia e na sala de aula. Acumulam-se idéias que gostaria de desenvolver e escrever enquanto tento não deixar que a velocidade do mundo rapte a intensidade e a presença “verdadeira” em tão múltiplas relações.

Para viver é preciso prestar atenção. Vou anotando em caderninhos e nas bordas dos livros as epifanias num desejo – insano – de reter a totalidade da experiência vivida.

Escrevo fragmentos de poemas. Aos poucos um livro nasce na sua forma corpórea. Outras idéias atropelam-se angustiadas e ansiosas à espera de sua realização. Peço calma. Eu não sou infinito. Mas o tempo é. E as idéias todas não pertencem a ninguém. Pertencem ao mundo todo.

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Saturno é, poeticamente, o planeta da melancolia.

Mas o meu amigo Marcos Cuzziol me propiciou uma nova visão deste “signo” que me remete  à história de um pensamento, de um temperamento e da angústia do tempo que passa.

Imaginem ver uma primavera em Saturno:

From 20 degrees above the ring plane, Cassini's wide angle camera shot 75 exposures in succession for this mosaic showing Saturn, its rings, and a few of its moons a day and a half after exact Saturn equinox, when the sun's disk was exactly overhead at the planet's equator. The images were taken on Aug. 12, 2009, at a distance of approximately 847,000 km (526,000 mi) from Saturn. (NASA/JPL/Space Science Institute)

From 20 degrees above the ring plane, Cassini's wide angle camera shot 75 exposures in succession for this mosaic showing Saturn, its rings, and a few of its moons a day and a half after exact Saturn equinox, when the sun's disk was exactly overhead at the planet's equator. The images were taken on Aug. 12, 2009, at a distance of approximately 847,000 km (526,000 mi) from Saturn. (NASA/JPL/Space Science Institute)

 

Clique na imagem e veja outras imagens impressionantes do Céu, das luas e dos anéis de Saturno.

Citação

“Sigmund Freud freqüentemente observava que as grandes revoluções da história da ciência tinham uma característica comum, até irônica: elas derrubam a arrogância humana, de um pedestal depois do outro, sobre nossas convicções em relação a nossa própria importância. Nos três exemplos apresentados por Freud, Copérnico deslocou nosso lar do centro para a periferia; Darwin então nos relegou a ‘descender de um mundo animal’; e, finalmente (em uma das afirmações menos modestas de toda a história intelectual) o próprio Freud descobriu o inconsciente e detonou o mito da mente inteiramente racional.

Nesse sentido sábio e crucial, a revolução darwiniana permanece deploravelmente incompleta porque, apesar de a humanidade pensante aceitar o fato da evolução, a maioria de nós ainda não está disposta a abandonar a visão consoladora de que evolução significa (ou pelo menos incorpora como princípio central) progresso, definido para facilitar o aparecimento de algo como a consciência humana, como praticamente inevitável ou pelo menos previsível. O pedestal não será destruído até que abandonemos o progresso ou a complexificação como princípio central e cheguemos a aventar a forte possibilidade de que o Homo sapiens seja apenas um ramo minúsculo que surgiu tarde no enorme arbusto em forma de árvore da via – um pequeno broto que certamente não apareceria uma segunda vez se pudéssemos replantar a semente do arbusto para deixá-lo crescer novamente.”

Spephen J. Gould. A imprevisível e fortuita evolução da vida. Scientific American História. Edição especial O Homem em busca das Origens – coleção História da Ciência no.7. São Paulo: Duetto Editorial, s/d.