O velho novo ano

É mesmo uma espécie de benção essa capacidade que nós temos de reinventar o tempo e terminar o infindável. Porque é isso terminar um ano. Bonito imaginar que marcamos um ponto qualquer na órbita celeste e ali determinamos que ela acabe para recomeçar de novo no mesmo ponto. Mas a órbita mesmo não sabe onde começa ou acaba, pois ela nunca começa e nunca termina.

Uma pena, talvez, esse ponto imaginário não coincidir, como já fora um dia, com os solstícios de inverno e verão, marcando a distância entre o dia mais curto e, na outra extremidade, o mais longo de uma sucessão de dias e noites em que a natureza faz seu ciclo. Medido assim, o tempo parece ter mais sentido. No entanto, a poeticidade do fato natural embacia sua verdade escondida: Somos nós e as coisas, antes, sempre a terminar e a começar. De uma obviedade espantosa.

Por isso é preciso descansar do tempo infindável.

E há realmente algo de maravilhoso em pensar que o ano acabou e que, com ele, tantos problemas “ficaram para trás”. Que, afinal, podemos “renovar as esperanças” para esse “novo ano” que virá. Nossa energia vital se revigora como peregrinos a alcançar mais uma cidade no seu itinerário, onde terão seu pouso restaurador antes de prosseguir viagem.

Sabemos que há calendários de outras tradições, mas podemos pensar numa variante mais científica: Dizem os astrofísicos que o universo tem 15 bilhões de anos. Nós poderíamos estar então no ano 15 bilhões, se contássemos desde o início dos tempos; ou no ano 4 bilhões e 600 mil, a contar do sistema solar; e, para ficar “mais perto” do homo sapiens, poderíamos estar no ano cem mil, pelo menos.

Estamos, porém, apenas em 2010 – e suspendemos assim um pouco do peso do tempo. Poderíamos discutir de maneira quase tão infindável quanto o próprio tempo a natureza do recorte. E ele não seria mais ou menos verossímil que qualquer outro. A não ser porque esse “pegou” e ficou oficial. Assim, fogos de artifício explodem no mundo inteiro todo dia 31 de dezembro e mesmo aqueles que por motivos religiosos se recusem a comemorá-lo, convertem-se obrigatoriamente à sua medida universal e, talvez, com sorte, consigam esquivar os ouvidos e os olhos da algaravia das comemorações.

Inegável, porém, a alegria de imaginar e se convencer das dores e amores que serão deixados para trás. Anos passados para amores passados. Para dores passadas. Para rancores passados. Para fracassos passados. Para erros passados. Que fiquem lá com suas histórias, suas paisagens e suas roupas velhas. Inútil resistir ao tempo. Cada ano um novo cultivo. Que as colheitas fartas sejam mais numerosas que os períodos de estio. Mas haverá um e outro. E um e outro felizmente acabará.

Dizem que cada dia é um novo dia, mas um ano novo é um pacote inteiro de dias fresquinhos. Outra coisa! O ano passado é muito melhor que ontem. 31 de dezembro não é apenas ontem de primeiro de janeiro. É o último dia do ano passado. Quando você “fecha” o ano que passou e aproveita para empacotar e despachar com ele aquilo que fica bem nas prateleiras do passado.  Sejamos sinceros: que enorme prazer não será encaixar nessas prateleiras o nome de uma ou outra pessoa, um vício, uma parte de si mesmo, dois ou três sentimentos imprestáveis…

Melhor guardar uma ou outra coisa improvável e deixar que o coração se encarregue do resto.

Então, cá estamos, tão próximos de 2011, conferindo nossas listas de metas e desejos de um ano atrás com mais ou menos satisfação e refazendo as intenções para o ano novo. Como se roupa nova ele fosse. Uma roupa sem as memórias das outras. Uma roupa novinha em folha para momentos ainda não vividos. Uma roupa para se impregnar de outras memórias. Uma roupa nova para vestir o mesmo corpo, um pouco mais velho, mas agora com aparência renovada em sua nova roupa. Esse corpo torturado de memórias, amaciado de desejos, ou um corpo ainda jovem e já suado de tanta avidez. Uma roupa nova capaz de harmonizar as mudanças do corpo e da alma.

Por isso eu adoro um ano novo. Adoro vesti-lo no primeiro dia do ano e pensar com isso que ele será inteiro novo e exclusivo para as coisas novas que virão. Que, sim, ficarão no passado os momentos bons. Eles deixarão saudade. Saudade que preencherá a vida nos intervalos, nos momentos de arrumação, num dia próximo do final de um próximo ano pensando de novo no fim e no começo de cada coisa como quem arruma o guarda-roupa, as gavetas e o escritório desapegando-se de quase tudo, pois o mais importante na vida é ter espaço.

− 2011! Pode entrar!

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Exposições de Arte: Alunos de Estética da FACOM-FAAP visitam, comentam e criticam!

Há duas “avaliações” que gosto especialmente na disciplina Estética, ministrada por mim às turmas do curso de Comunicação da FAAP:

1 – O relato da experiência estética mais significativa que eles vivenciaram e,

2 – As visitas às exposições de Arte – agora também admitindo Arte de e na Rua – publicadas em um blog da sala produzido pelos próprios alunos.

É esse último item que irei comentar. Com atraso. Pois, a cada mês, a cada semestre aparecem novos desafios. O tempo, por seu turno, permanece o mesmo…

Confira neste post os links que, de qualquer maneira, sempre estão disponíveis na barra à direita:

Turma A

Destaque para o post de Maria Fernanda sobre a Bienal. Olha ela aí:

Turma B

Destaco as visitas feitas por Mariana à Exposição da Coleção Pirelli de Fotografia, no MASP, mas que infelizmente já acabou.

Gostei também do post de Paula sobre a Exposição “O Espaço nas Entrelinhas”, de Fred Sandback, no Instituto Moreira Salles. Outros alunos também comentaram essa exposição que ainda dá tempo de ver. Vai até 24 de outubro. Sofia Derani comenta a exposição “Dream Machine”, no atelier de Regina Johas.

Aqui, Fred Sandback:

Fred Sandback

Turma C

Muito rico o blog “Quarto 213”, da turma C. O relato de Caio sobre sua visita ao “Umbraculum – Jan Fabre no Tomie Ohtake” nos faz acompanhá-lo em sua experiência. A visão do fotógrafo Miguel Rio Branco está na impactante “Maldicidade – Marco Zero”, no MuBE, por Gabriela Cruz. Cíntia Esteves traz informações sobre a escultura LOVE, de Robert Indiana. Ótimo também o comentário de Beatriz Gallo para “sobreViver”, exposição de pinturas de José de Quadros no SESC-Pompéia.

Cíntia Esteves em “Love”:

Turma G

É uma coisa um pouco incrível, mas qualquer grupo que convive junto um tempo acaba adquirindo uma espécie de “personalidade em grupo”. Noto bastante essa idiossincrasia em cada sala de aula. E a personalidade da turma G deste semestre é das mais “irônicas” – quando essa palavra indica uma coisa boa. Visite o site. Aqui um post não crítico e não sincero é exceção à regra.

Artur Renzo, na exposição “Vik Muniz – Verso”

Amina vai a Inhotim, mas não deixa barato!

Mayra no Beco do Grafite:

Turma H

Nesta turma, por exemplo, alguns alunos decidiram explorar mais uma possibilidade dada pelo trabalho. Falar sobre arte de rua. E não é que a Rafaela Pastore até entrevistou o grafiteiro Igor Kenzo? Marcela Auder também produziu um post muito bonito com as obras de Zeila e Tikka. E Tayla foi buscar o grafite dentro da Igreja Bola de Neve!

Rafaela diante de Koi-Fish num muro na av. Dr. Arnaldo:

A Marcela Auder em uma travessa da Cerro Corá!

Parabéns aos meus alunos!

ULTRA NATURE EM NÓS – por Alba Brito; Reflexões de uma artista-educadora

Nota do blog: É com muito atraso que publico este texto de Alba Brito que me foi enviado por Marcos Cuzziol. A exposição Arte Cibernética – Acervo Itaú Cultural ocorreu em seis estações do metrô de São Paulo nos meses de abril e maio colocando essas obras de arte em contato com um público amplo e, acredito, na maioria das vezes inédito.

Pergunta-se muito o que “significa” esta nova arte. Coloca-se muita ênfase em seus aspectos técnico-tecnológicos (o que é sem dúvida importante), mas a mesma ênfase precisa ser colocada no convite à experimentação e autonomia, no seu modo próprio de fazê-lo – isso que, talvez, seja desde sempre a essência mesma da arte ou um dos modos de defini-la.

O texto de Alba relata de modo sensível e poético esse dado da experimentação, o “rasgo no cotidiano” que “significa” sair da ordem do dia para a “ordem” do prazer estético.

A publicação dele vem com atraso, porém o motivo para fazê-lo foi atualizado em uma discussão neste último sábado na minha também última aula para os alunos de pós-graduação em História da Arte de Ribeirão Preto, turma 2. Comentei este relato e prometi publicá-lo. Obrigada à Alba por tê-lo escrito e ao Marcos por tê-lo enviado.

 
“É como se abrisse um rasgo no cotidiano das pessoas e de lá saísse um sorriso”
 
Este quase um mês e meio de trabalho na Estação Sé, orientando o público na obra Ultra Nature do artista plástico mexicano Miguel Chevalier, pertencente a exposição Arte Cibernética – Acervo Itaú Cultural, me fez refletir bastante sobre qual o papel da arte nos dias de hoje, ainda mais num lugar como aquele: correria, empurra-empurra, suicídios cometidos toda semana, a luta diária contra o tempo segundo a segundo, a rigidez do olhar, a cegueira, a falta de sol.

Rompendo o concreto do metrô, abrindo fendas, surgiam imponentes as plantas vivas, porém virtuais, de um artista de um outro país e esta luta da obra de arte versus o embrutecimento humano reverberava mais que a trepidação natural do metrô nas pessoas que se permitiram, por alguns segundos ou longos minutos, brincar!

Este é o verbo que ficou em mim neste período de trocas verdadeiras: Brincar!
Senhoras acanhadas, recolhidas, quase escondidas atrás das pilastras da estação, que observavam com olhos grandes de curiosidade e medo, olhos de crianças em longa idade, foram convidadas para dançar em frente a obra e felizes foram aquelas que dançaram, permitiram-se brincar! Provocando em mim uma alegria tremenda e a cada passo e riso fazendo do jardim virtual um jardim cada vez mais cheio de vida.

Senhores sisudos, que não queriam papo, ficavam por longos minutos olhando, sem mover nenhum outro músculo do seu corpo exceto os necessários para piscarem de vez em quando, e as vezes quando a sisudez era deixada de lado, um muito obrigado aflorava seguido por passos rápidos e meio atrapalhados em direção as escadas rolantes do metrô ou então seguido pelas perguntas: aonde eu faço pra ir pro Tucuruvi? Barra funda? Ô menina como é que eu faço pra ir pro Jabaquara? Itaquera?

As flores virtuais não necessitam de sol, mas necessitam de pessoas e neste jogo de necessidades só conseguiu jogar quem se permitiu ser um pouco Sol e foram mais de 2 mil pessoas por dia, em média, mais de 2 mil pessoas por dia que se esqueceram da pressa, afrouxaram o nó da gravata, liberaram os nós da garganta compartilhando histórias tão pessoais comigo, colocaram suas bolsas no chão para brincarem com o jardim, pessoas que me perguntavam “cadê as nossas plantinha” quando por algum problema técnico a obra teve de ser desligada, pessoas com deficiências físicas que rodopiam as cadeiras de rodas no meio da estação de metrô em frente a “tela”, estudantes com seus cadernos de anotações e olhos atentos “que louco meu!”, famílias inteiras, estrangeiros (bolivianos, americanos, iraquianos, argentinos, chineses…) e surdos e mudos que travaram uma comunicação comigo através da mímica, pessoas cegas que acompanhadas por amigos que iam lhe dizendo o que estavam vendo mexiam seus corpos para que a obra tivesse movimento, quantas muletas e bengalas serviram de pés de valsa nessa brincadeira…

No meio de tanta gente, algumas pessoas me marcaram:
O engraxate da Sé que jogava seu guarda chuva no chão e recitava suas poesias que geralmente continham a frase: Se você acredita em Deus, nada lhe faltará, apresentava-se tendo a obra de arte como pano de fundo; o senhor Luís, homem negro com seus longos cabelos brancos encaracolados sob um chapéu e um longa barba branca que me recitou um poema enorme, aprendido apenas pela tradição oral, já que não sabia nem ler e nem escrever; o Edmilson da Silva pessoa boníssima freqüentador e trabalhador da APAE que comemorou seu aniversário junto a obra de arte (ele não sabia que aquela quinta-feira era o dia do seu aniversário, ele me disse que o seu aniversário estava próximo e me mostrou seu R.G e para a nossa surpresa o aniversário dele era naquele dia, 24/05, completava 38 anos de idade); a senhora do bombom sonho de valsa, mulher apaixonada por seu falecido marido que foi, segundo ela mesma me disse, um dos engenheiros das obras do metrô, mas que não pôde assinar os projetos pois era estrangeiro; o senhor Carlos, artista plástico dos vegetais, quase sempre ele ia visitar as plantas virtuais e dizia “vou fazer um jardim desse lá no restaurante Cachoeira com nabo, berinjelas….”; a senhora que me alertou da flor misteriosa existente no mar da China: “uma flor grande, que vive lá nos fundo do mar, passou num filme, ela seduz as pessoas e aí já era, é igualzinho essas planta daqui, é filme isso?”; o menino da rua Miguel que ficou lá na exposição uma tarde quase inteira brincando com as plantas, com as sombras provocadas pelos projetores da obra, foi bonito revê-lo junto ao seu irmão, o vendo ensinar todos os bichos de sombra que eu o havia ensinado; o senhor que somente olhou a obra e disse “eu queria mostrar pro meu neto” e se pôs a chorar “desculpa, eu sou sensível”


Ufa! Há sensibilidade nos paulistanos.

As pessoas simples que me perguntaram : tá vendendo? Imagina isso na sala da gente, hein? É uma terapia, a gente chega tudo estressado, aí fica assim brincando, fazendo uns movimentos! É bom, relaxa.

Teve também aquelas que detestaram, questionaram o por quê das plantas não serem somente verdes : Isso que ta aí não é verdade, não existe plantas dessas cores, vocês tão ensinando errado as crianças, elas vão ver isso e vão achar que as plantas são assim, mas as plantas são verde; houveram outras que  acharam absurdo as pessoas “baterem” nas plantas: Isso, ao meu ver, você me desculpe, mas é muito errado, as pessoas vem, ficam batendo nas plantas, eu acho, me desculpa a minha ignorância, se as plantas tão quietas na delas ninguém tem que ir lá perturbar, eu não entendi isso aí não.

E não adiantava eu falar coisa alguma, muitas vezes o diálogo entre eu e o usuário de metrô não pôde existir, mas com toda certeza o diálogo entre essas pessoas e a obra de arte aconteceu e de forma muito potente, pois elas saíram cheias de questões e diferentes do momento em que antecedeu o olhar à obra.

Muitas pessoas me perguntavam “qual o objetivo” dessa obra estar ali, eu sempre rebatia a pergunta: qual o objetivo, pra você, dessa obra estar aqui? E aí o diálogo ia sendo tecido…

Nesse quase um mês e meio de exposição senti, de maneira muito objetiva e rápida, a ação da arte na vida dessas pessoas, ação que muitas vezes a gente não vê com essa intensidade e rapidez quando estamos fazendo teatro, por exemplo, e foi muito bonito ver, inclusive os momentos em que o jogo não se estabelecia, quando o embrutecimento “ganhava”, que de alguma forma a criança de cada um aparecia em frente aquela imagem que se mexia, crianças ora risonhas e entregues, crianças ora fechadas e tristes, crianças carentes de atenção, crianças escondidas sob camadas profundas de um amadurecimento “concretado” que saiam, com dificuldade, rompendo camadas e camadas de sentimentos, histórias, carne humana, igualmente como faziam as flores do jardim virtual ao romperem o cinza do metrô, igualmente como fez a Arte, neste quase um mês e meio, ao romper o cotidiano dessas pessoas e, ao final de tanta luta, o que aflorou em todos os casos foi o riso ou o risco de se perceber perceptível e humano.

Agradecida ao Miguel Chevalier, aos funcionários da Sé, aos funcionários do Itaú Cultural, a Estação História, as pessoas que compartilharam comigo esta experiência no metrô e a mim, que me permiti vivenciar isto com esta intensidade.

Santo André/SP, 02 de junho de 2010.

Sobre a obra e o autor: [do site do Emoção Art.Ficial]

Um jardim virtual cuja flora é composta de seis variedades de plantas digitais coloridas. Cada uma delas evolui de acordo com suas características “genéticas” e pela interação com o público que, por meio de sensores, provoca a polinização entre elas, influenciando o crescimento de novas e inesperadas florações.

 

Miguel Chevalier é conhecido como um dos pioneiros da arte digital. Nascido no México e radicado na França, graduou-se na Escola Nacional Superior de Belas Artes , em Paris, no início da década de 1980. Em 1994, ingressou como artista residente na Villa Kujoyama, em Kyoto, Japão.

Comentários sobre os textos das exposições

Por Guilherme Gil de Oliveira Melo – Monitor da disciplina Estética da FACOM     

 Dissertando acerca da exposição do artista multimídia Gordon Matta-Clark, que ficou em cartaz no MAM-SP até o mês de abril, a aluna Carolina Althaller (da turma H) consegue promover uma reflexão mais profunda a respeito de sua obra e da problemática social na qual está inserido, tudo dentro de uma linguagem breve, concisa e esclarecedora.

Uma das obras presentes na exposição

      A partir de sua análise, temos noção do cerne das questões envolventes do trabalho de Matta-Clark, um dos nomes de proa da arte contemporânea, que giram em torno da discussão sobre o espaço e o próprio processo construtor do trabalho artístico, em um procedimento convidativo da participação/intervenção por parte do público, o agente receptor. 

O link para o texto pode ser encontrado aqui.

Comentários sobre os textos das exposições

         Por Guilherme Gil de Oliveira Melo – Monitor da disciplina Estética da FACOM 

 Dentro da atividade de relatos a visitações artísticas proposta pela disciplina de Estética, trabalhos que fogem a um padrão mais convencional e conseguem, com efeito, um aprofundamento diferenciado que decorre, justamente, dessa busca por outros registros merecem uma menção especial. 

          Isso ocorre no caso da aluna Gisela Barreira Marcondes, da turma B, que, no relato a respeito da exposição Romantismo: A Arte do Entusiasmo, no MASP (que ficou em cartaz até 8 de maio), sai-se muito bem ao usar de maneira adequada o procedimento de enumeração exemplificativa das obras vistas, o que demarca uma espécie de evolução cronológica da Escola Romântica. Ela consegue transmitir com sutileza as impressões e os efeitos propiciados pelos quadro. Além disso, notam-se, em seu processo elaborativo, concisão e poder de síntese. 

Quadro de Degas, Quatro Bailarinas em Cena, presente na exposição visitada

 


 

           O texto completo pode ser encontrado aqui.

Comentários sobre as exposições

Por Guilherme Gil de Oliveira Melo – Monitor da disciplina Estética da FACOM

Alguns exemplares do ciclo dos textos referentes às visitações de museus podem nos revelar dados instigantes, seja pelo diferenciado ângulo demonstrado no relato, seja pela sutileza empregada dentro da análise proposta, o que acaba enriquecendo, pois, os parâmetros da reflexão estética presente no curso.

Nisso, saliento, por hora, duas das atividades que se destacaram, curiosamente realizadas em viagens de turismo (portanto exposições não encontradas atualmente na cidade de São Paulo): a de Wilson Dias, pela Turma D, que descreve uma exposição de René Magritte em Montevidéu, Uruguai, dentro do Museu Ralli, consegue lançar, de maneira profunda e mesmo razoavelmente complexa, seu olhar sobre as próprias condições geográficas que animam um contexto cultural (no caso, o de uma cidade da América Latina) ao mesmo tempo em que igualmente elenca e desenvolve as condições históricas e estéticas presentes no modo de elaboração formal de um artista. O texto está presente aqui.

Obra de Mario Rivera presente no Museu Ralli

Já pela Turma C, o aluno Rafael Farina, ao descrever a exposição do fotógrafo Claudio Carpi no MAM-RIO (denominada Almas Cinematográficas), demonstrou um pensamento norteador bastante interessante ao refletir acerca da própria questão fotográfico-imagética a partir da obra do autor. São combinadas, no raciocínio, afirmações mais profundas sobre a arte com informações pontuais e exemplos de trabalhos verificados, levando a observação para um terreno até mesmo semiótico. O texto integral pode ser encontrado aqui.

Registro de Burle Marx (1994), presente na exposição

Outros relatos de destaque serão comentados nos próximos posts.