Abandono

Final de ano. E o velho/novo momento de fazer as contas.

Não, não é só de lista de compras.

O nosso anual acerto de contas: as promessas que ficaram para trás do reveillón anterior. A renovação das promessas (im)possíveis para o próximo ano. As listas das frustrações e sucessos.

Eu, de minha parte, resolvi deixar as promessas de lado. É uma outra promessa um pouco mentirosa também. Mas até que consegui dessa vez. Decidi contabilizar sucessos.

As coisas que não deram certo que vençam seu prazo de validade. Às vezes ainda deixam algum aprendizado e acabam participando das coisas que podem dar certo.

Por exemplo, e o exemplo é singelo, este blog. Há coisas pensadas, desejadas, planejadas que “não deram certo”. Mas gostei da cara dele, do nome que imaginei, das visitas que recebi, dos comentários de um e outro. Gostei de experimentar a expectativa de quem escreve para uma mídia “aberta”. Vi limites. Pensei em outras coisas. Algumas achei inadequado escrever aqui e, portanto, me vi pensando em outras possibilidades.

Minha intenção era conectar parte do universo da sala de aula com parte de meu outro universo fora da sala de aula. Aproximá-los no que pudesse haver de proveitoso no encontro das experiências estéticas e reflexivas que não cabem nos limites do conteúdo programático da disciplina. Nesse sentido, ainda imaginei que, sendo assim tão diverso, o blog poderia ter lá o seu interesse para quem não é aluno ou não é mais aluno.

Porém, como não poderia deixar de ser, o blog entra na lista de “mais uma coisa” a fazer entre todas as muitas outras que demandam o tempo. Administrar tarefas, desejos e alguma ansiedade é uma prática cotidiana. Quero dizer que não consegui cumprir o que desejei ou mesmo planejei para esse blog (vou deixar pra lá os outros assuntos…), mas essa singela experiência despertou-me muitas possibilidades. Eu havia advertido nos primeiros posts que haveria hiatos. Entendo a importância das “constantes atualizações”, contudo acho mais saudável não submeter-se gratuitamente a nenhuma ditadura. Portanto, hiatos são possíveis. Desejáveis até. Afinal, quem lê tanta notícia?

Talvez no ano que vem a gente consiga fazer do esporos um blog de cultura mais interessante. Mas aí precisaremos de uma rede de colaboradores oficiais. Quem sabe?

O que me agrada no esporos é a sua indeterminação. Sua mistura indeterminada. E a idéia de que esporos voem por aí e germinem em lugares desconhecidos. Como penso sempre um pouco angustiada e um pouco feliz onde estarão os agora já milhares de alunos para quem já dei aula. E, apesar, da impossibilidade da memória eu sempre desejo sinceramente que de todas as palavras tenha sobrado alguma coisa a mais do que notas, faltas, presença e burocracia. Essa coisa a mais que – digo sempre – está entre as coisas que não posso avaliar nem dar nota, mas é a que mais importa e me interessa.

Lista de tarefas

Pilhas de provas para corrigir

2 artigos por terminar

+ 1 ensaio: A Alma das Coisas (sobre Guto Lacaz)

+ outro ensaio-resposta para a conversa com o Gabriel, o João e o Fábio (alunos do 3C) sobre o modo como as mídias sociais na internet detonam nossa visão de centralidade e autoridade no universo da cultura.

Comentários sobre as visitas às exposições dos alunos

Hoje: Seminário de Pesquisa de História da Arte: apresentação de “Um ser de sensação”, parte de minha tese de doutorado e dos trabalhos dos meus orientandos Paulo Vicelli, sobre Beatriz Milhazes, e Hélida Lima, sobre Mário Gruber. Apareçam será a partir das 19h na S17 no prédio 5.

Quinta-feira às 14h: “Azeitona”. Encontro com os alunos no C.A. de Comunicação. Pelo que sei, vão me fazer perguntas. Mas eu farei a primeira da tarde: Porque “Azeitona”?

Sábado: Em Ribeirão Preto para aula na pós em História da Arte sobre Arte e Tecnologia.

O de sempre: as aulas na graduação e pós durante a semana.

Blog: Pausa no meio disso tudo.