Visitas às exposições

Estou aqui visitando os blogs dos alunos sobre as exposições de arte que acontecem esse semestre em São Paulo. Essa foi uma proposta da disciplina de Estética 1 com o intuito de promover, estimular uma conexão efetiva entre a reflexão e a concretude da obra de arte – seja ela uma manifestação contemporânea ou um objeto trazido de outra época ao contemporâneo.

Quase tudo é novo nesse semestre na disciplina Estética 1: Os temas “obrigatórios” e textos novos. A proposta de visita às exposições como trabalho gerou algumas surpresas e alguns problemas. Como meu maior interesse era que o aluno simplesmente fosse a uma exposição de arte, não exigi que os textos fossem autorais, apenas que indicassem as fontes da informação e usassem as aspas e acrescentassem a isso os seus próprios comentários da forma mais honesta: afirmei que era absolutamente permitido dizer “Achei uma droga! Ponto”. Minha intenção não era propriamente estimular essa atitude, mas desafogar um pouco os meus alunos do “argumento da autoridade”, de “permitir” uma apreciação “desinteressada”, de deixar o olhar e os sentidos mais “desobrigados” e esperar que a obra de arte “atuasse” no seu próprio tempo. 

O resultado foi que a maioria optou por reproduzir longos textos de catálogo. E os comentários autorais, mesmo os breves, foram a coisa mais interessante dos posts. A turma de Relações Públicas (H) optou por produzir um relato autoral das visitas desde o primeiro momento. Nesse sentido, achei o blog  mais interessante. Infelizmente, os últimos dois posts da sala não seguiram a tendência. Desse aspecto extraí um aprendizado: no próximo semestre pedirei apenas textos autorais com a possibilidade de os alunos escolherem uma ou outra citação que considerarem muito importante. Os textos mais longos dos sites das exposição ou dos catálogos poderão ser referenciados num link apenas. 

Algo que não funcionou muito bem foi a opção de duas turmas pelo fotolog. Acho difícil encontrar as informações ali e, além disso, é um suporte que dá um espaço excessivo para a propaganda desviando a atenção. Uma das turmas resolveu mudar e transferir o conteúdo para um blog “normal”. A informação textual ganhou mais visibilidade. Mas talvez seja isso mesmo: eu aindo sinto a “necessidade” da informação verbal.

Também tem a questão das fotografias: Pedi que o aluno, dupla ou grupo fizesse uma fotografia em algum lugar que indicasse a visita à exposição. Mas há muitos museus que proíbem as fotografias em seus espaços internos, o que gerou conflito. Devo deixar mais claro que as fotografias têm a função não só de indicar a visita mas de dar uma “graça” ao conteúdo do blog que se destina a visitação de pelo menos todos os alunos da Faap para permitir assim o reconhecimento virtual e, quem sabe, estimular mais encontros e diálogos “reais” nos corredores da faculdade. Não é absolutamente necessário que a foto seja dentro do espaço expositivo. Nesse quesito, alguns alunos se mostraram extremamente criativos em fotografias com enquadramento e luz que considerei esteticamente agradáveis e originais além de demonstrarem uma conexão lúdica com o fato de estarem ali para o trabalho. Dêem uma olhada nisso.

Aliás, isso foi o que mais gostei até agora. Apesar dos problemas, a liberdade conferida ao trabalho conseguiu proporcionar um pouquinho de prazer e autenticidade à experiência estética. Foi muito gostoso e realizador ouvir e ler várias vezes que “não estava esperando, mas cheguei aqui e gostei”, “não teria vindo à exposição, mas tive vontade de ficar o dia inteiro”, “estava procurando outra coisa, mas decidimos mudar de direção e descobrimos…”, “não gostei da exposição, mas a experiência de interagir…” etc. Isso tudo foi sem dúvida o mais legal!!! A experiência me ajudará a melhorar a proposta.

Aproveito e peço a todos que participaram dela e das outras propostas deste semestre que enviem uma apreciação (Pode falar mal!). Se quiser que ela fique pública pode deixar comentário neste blog ou envie para o meu e-mail egsilva@faap.br. Agradeço desde já a contribuição!