Resíduo

De tudo fica um pouco.

Drummond estava certo.

Aliás, eu sempre penso que a poesia ilumina instantes de verdade. Instantes luminosos de verdade.

E, enquanto o ano acaba e eu provavelmente me despeço desse blog pelo menos pelos próximos 15 dias (“fim” de semestre: os trabalhos e as provas para corrigir, as notas para entregar, as planilhas para fechar), enfim, enquanto o ano acaba assistam à esse belíssimo vídeo dirigido por Luis Liotti, aluno do curso de Cinema da FAAP.

Fim de ano. “Fim”. Sempre perto do início do outro.

Porque enquanto o ano acaba,  o amor acaba, o ódio também acaba, o mundo acaba e alguns curadores nos oferecem o vazio de suas idéias, há gente ainda tentando se salvar pela Arte: Pinta a tela, pinta a pele, rasga a partitura, toca a partitura, espalha a tinta, escreve, escreve, dirige, e dança e ri e chora, toca o outro e se toca. Mas é preciso suportar o silêncio, pois aprendi esses dias de um amigo poeta – Frederico Barbosa citando outra poeta – que não vivemos mais em tempos em que as paredes têm ouvidos, mas em tempos em que os ouvidos é que têm paredes e aí… não adianta gritar.

Eu ouço os “Resíduos”. Fico com eles.

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