Há 120 anos

“Foi em 1889 que Gauguin se afastou do impressionismo para criar algo menos naturalista, que chamou de sintetismo; e que Georges Seurat fez seu esboço pontilhista da Torre de Gustave Eiffel, enquanto os operários se esfalfavam para concluir esta estravagância de ferro para a Exposition Universelle. Esse foi o ano em que um desconhecido pintor holandês se internou voluntariamente no asilo de St. Paul, em Arles, onde retratou o banco de pedra e os cipestres dos jardins; o ano em que o jovem Henri Matisse, escrivão que nunca tinho posto o pé numa galeria de arte, matriculou-se num cruso de pintura em Saint Quentin natal. E foi em 1889 que Picasso, aos oito anos de idade, pintou o que se considera sua primeira obra: Le Picador. Algo quase mágico estava acontecendo na arte ocidental. Uma centelha de loucura, uma faísca de gênio estava no ar, alimentando discussões e controvérsias em Paris e Londres.”

Trecho de Eu fui Vermeer, de Frank Wynne (Cia. Das Letras, 2008). O livro conta a história de Han van Meegeren, nascido no referido ano de 1889 em Deventer, Holanda. O artista se notabilizou por suas falsificações de Vermeer, descobertas apenas quando precisou se defender de ter vendido um patrimônio holandês aos nazistas na 2a. Guerra Mundial.

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