Arte, ilusão e ironia

The crevasse

Eu vivo dizendo – e a idéia não é original – que grande parte da história da arte pode ser explicada pelo desejo de atingir  a perfeita ilusão do real – o paradoxo do apagamento da distinção entre real e ilusão. A velha, fulcral e sempre nova discussão sobre a mímesis.

Também a evolução das técnicas e tecnologias de reprodução do real e de criação de “reais paralelos” poderia ser explicada pelo mesmo desejo.

Hoje, dos games à Disney, passando pelas telas IMax e muitas outras ferramentas – como as desenvolvidas por Char Davies em Osmose e Epheme – a tecnologia pode nos proporcionar a “experiência” de um real simulado ou inventado.

Em agosto do ano passado, o artista alemão Edgar Müller produziu mais uma de suas gigantescas obras de ilusão de ótica para o Festival de Cultura Mundial, na Irlanda. Posicionando-se no ponto certo, como fez o fotógrafo na imagem acima, você pode ter a “sensação” de estar, “de fato”, diante de uma grande cratera de gelo.  Tudo por obra e graça da perspectiva – esse grande achado da matemática e da ótica.

Curioso, encantador, estranho, interessante, divertido. Tudo explicado, sobra ainda – na experiência sensória –  qualquer coisa de misterioso nesso jogo de “trompe l’oeil”.

The crevasse

Reportagem do Daily Mail traz outras imagens do artista e aqui você pode ver o making-off de execução de The Crevasse:

E a ironia?

Bem, há muitas outras maneiras artísticas de lidar com a mímesis. Talvez esse modo seja um dos critérios para definir o caráter próprio de cada artista. Regina Silveira também se interessa pela perspectiva, mas “na perspectiva” da Arte – sua história, seus artistas, suas influências e seus conceitos. Como nessa obra In Absentia M. D, de 1983. Veja outras da mesma artista na Enciclopédia das Artes.

in-absentia M.D,

Silveira, Regina 
In Absentia M.D. , exata 1983 
látex sobre piso de cimento e painéis de madeira 
1000 x 2000 cm 
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini