Mais Machado de Assis

Ontem fez 100 anos que o escritor carioca morreu no número 18, da rua Cosme Velho no Rio de Janeiro. E o ciúme de Bentinho tornou a traição (ou não) de Capitolina, vulgo Capitu, no maior mistério da literatura brasileira, como afirma o livroclip no final desse post.

Lembro-me do escritor Modesto Carone (escritor também, mas mais conhecido por ter traduzido toda a obra do Kafka para a editora Companhia das Letras) assinalar, numa palestra da Semana da Comunicação da FAAAP no ano passado, que não devíamos nunca esquecer do lugar do narrador: o próprio Dom Casmurro. É dele o ponto de vista. Não de Capitu. Como decidirmos sobre a traição a partir de um olhar enciumado?

Se você não leu esse clássico, sinta-se feliz: a experiência de descobri-lo, seja em que idade for (em alguns casos, quanto mais tarde, melhor), é de uma delîcia invejável. Desse modo vejo crescer meu desejo de ler minha também crescente, infinita e interminável lista dos livros que ainda não li.

A notícia ainda melhor sobre Machado é que sua obra está sob domínio público. Sua obra completa pode ser encontrada no site do Ministério da Educação. A Folha on-line também publicou um especial sobre o autor.

Além disso, ontem o Museu da Língua Portuguesa inaugurou uma exposição sobre o mestre (dica para as visitas para as aulas de Estética). O interessante dessa exposição é que ela “descanoniza” o autor e tem a proposta de pôr em relevo o prazer e a delícia de lê-lo. Eu não quero perder.

Serviço
“Machado de Assis: ‘mas este capítulo não é sério'”
Onde: Museu da Língua Portuguesa (pça. da Luz, s/nº. Tel.: 0/XX/11 3326-0775)
Quando: de 15/7 a 26/10, das 10h às 17h
Quanto: de terça a domingo, R$ 4. Estudantes pagam meia e a entrada é gratuita para crianças até 10 anos e pessoas com mais de 60 anos. Aos sábados, entrada gratuita.

O show O Dom do Ciúme (post abaixo) foi aberto com um “LivroClipe” a la Matrix “O maior mistério da Literatura Brasileira: Capitu traiu ou não Bentinho?”

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No domingo, eu queria estar sofrendo de amor

A culpa foi de “O dom do ciúme” – Uma interpretação musical de Dom Casmurro, espetáculo que fui ver neste domingo passado, no SESC Pompéia.

Necessário explicar: O show reuniu um repertório fantástico com músicas sobre o Ciúme: Chico Buarque, Cartola, Lupicínio, Roberto Carlos e de Fernando Chuí, que cantava, tocava violão e desenhava a Nanquin. Na voz, também Mona Gadelha, com Fernando, entremeava as canções com leituras de trechos de Dom Casmurro. Ao piano, Anderson Toledo e, no comando de um cenário virtual acompanhando a ondulação dos sentimentos, a VJ Mrs. Ainda, uma participação especialíssima do queridíssimo Guappo e sua gaita.

Um show tão bom que, como eu disse, deu até vontade de sofrer de amor.

Eu nunca havia reparado como a música “Ciúme de você”, de Roberto Carlos, tem uma letra interessante. O que esses inventores fizeram dela então…

Pena que o show encerrava a programação do SESC em comemoração ao centenário da morte de Machado de Assis. Mas quem sabe, eles não decidem voltar. Se souber, aviso por aqui. Aliás, acesse o blog do Fernando Chuí aí ao lado e comece uma gritaria pedindo bis. Vale a pena!